Quais são as nossas dificuldades em gerir os finais de dias? Digo nossas pois também sou mãe e no final do dia todos temos as mesmas dificuldades, de uma forma ou de outra mas são todas idênticas!
Toda esta tensão torna o nosso papel enquanto pais muito mais difícil porque é preciso ter-se tempo, paciência e calma para se exercer bem a tarefa.
Quantas vezes, depois do stress das manhãs, igualmente loucas, a logística de acordar, vestir, tomar o pequeno almoço, arrumar as mochilas, caso não estejam feitas de véspera, lavar os dentes, etc, e às vezes ainda podemos ter algum deles a “embirrar” com a roupa que afinal quer levar aqueles ténis ou aquela saia, ou porque enfiou na cabeça que quer ir com o fato de super-heroi? Ou o bebé bolsa de repente na nossa roupa de reunião e nos obriga a ir mudar?
Quantas vezes não perdemos a cabeça porque já estamos atrasados, antecipamos já o trânsito que vamos apanhar e que como tal vamos chegar atrasados para aquela reunião…. toda a logística matinal não é fácil.
Depois de tanta azáfama, vamos trabalhar, e às vezes com o peso na consciência que correu tudo mal, gritámos, perdemos a cabeça, e sentimos remorsos…
Começamos a elaborar na nossa cabeça que ao final do dia tudo será diferente. Vamos compensar!! Tentar chegar mais cedo a casa, ou ir mais cedo buscar a escola, tentar fazer os trabalhos com muita paciência, dar banhos com tempo para eles brincarem na banheira, e jantarmos todos em família e conversarmos sobre como correu o nosso dia?
Mais uma vez, quando chega de facto o final de dia, é tudo tão diferente do que imaginámos…
Não temos a paciência que gostaríamos, não conseguimos deixar as brincadeiras do banho, ou porque já e tarde, ou porque o jantar já está na mesa ou ainda temos de o ir fazer.
A etapa do jantar em si, também não é a esperada, não conseguimos conversar, passamos o jantar a dar ordens: senta-te direito, come de boca fechada, não te levantes, não se fala de boca cheia… e mais uma vez tudo o que pensámos vai por água abaixo!!
Não se preocupem! Isto é ser família! A família cuida mas também educa.
Eu gostava que todos os pais tivessem uma varinha de condão… pozinhos de perlim pim pim. Como seria fantástico dizer as coisas e ver os nossos desejos tornarem-se realidade… pois, mas ela não existe. Educar dá trabalho, mas assegura que os nosso filhos cresçam mais seguros, mais resilientes e que se desenvolvam de forma mais tranquila.
A regra número um é pais felizes = filhos felizes! A felicidade e a bondade andam de mãos dadas, só conseguimos ser felizes se formos bons e só conseguimos ser bons se formos verdadeiramente felizes!
Temos de criar o nosso lar mais perto do paraíso do que do inferno!
Há algumas dicas: estarmos presentes (o pouco que conseguimos que seja de forma autêntica, aceitarmo-nos como somos, responder as necessidades de cada um (todos somos diferentes e como tal temos necessidades diferentes), tentar uma comunicação nao violenta ( mesmo quando temos de chamar 200 vezes para a mesa com um grito da cozinha o mais provável é ouvirmos uma resposta aos gritos também do quarto tipo jááááá vouuu). Se não gostamos que ele chame por nós do quarto, não o vamos portanto chamar da cozinha. É justo! Ser paciente, deitarmo-nos com as pazes feitas, ter fé uns nos outros.
O final de dia pode dar cabo de nós! Se nós chegamos cansados a casa depois de um dia intenso de trabalho, cheios de dores de cabeça porque tivemos um dia tenso, os nossos filhos também. Também podem ter tido um dia intenso e tenso tal como o nosso. Com a agravante de que são crianças e não conseguem elaborar tudo isto como nós os adultos!
Mais uma vez o nosso cansaço esbarra com o cansaço deles é so queremos fazer tudo rápido para nos deitarmos no sofá e sermos adultos. Mas depois vamos para a cama com o coração apertado porque mais uma vez não era nada disso que queríamos.
Se para nós não é fácil, imaginem para eles, quando estão cheios de sono, mas também com uma enorme vontade de brincar, participar e aprender?
Nunca se esqueçam que as birras são na maioria das vezes sinais de cansaço. É preciso ouvir a criança, percebe-la, e explicar fazendo sempre eco do que ela poderá estar a sentir.
Procurem reconhecer os sentimentos dos filhos. Não são os sentimentos que são desadequados mas sim os comportamentos. Os nossos filhos têm direito a sentirem-se frustrados, zangados connosco porque não o deixamos ir de havaianas em novembro para a escola. Podemos dizer: “estas mesmo chateado por eu não te deixar ir de havaianas para a escola não estás?” Aqui estamos a reconhecer e a falar do que ele sente. Ele se sentirá mais compreendido e quando eles se sentem mais compreendidos têm maior capacidade em avançar e mudar de assunto.
Na minha opinião, o sair da escola deveria ser sinónimo de brincar! Brincar, brincar, brincar!! Mas muitas vezes, ou na maioria das vezes não o é. Ha actividades, TPC e todo a rotina de final de dia.
Idealmente aa crianças deviam sair da escola e brincar! Estão cansadas, passaram o dia a esforçarem-se cognitivamente, e precisam de libertar energias. So assim libertam o stress. É a brincar que as crianças crescem, é a brincar que as crianças aprendem.
Mas de que forma é que nós conseguimos tudo isto?
Não é fácil.. pois não! Não há receitas perfeitas, e aquilo que funciona muito bem para uma família, pode não funcionar para outra. Cada família é única, tem a sua própria dinâmica. É importante sim encontrar-mos forma de perceber o que resulta de facto melhor para nós!
Idealmente não deve haver ecrans… acredito que seja uma grande solução dar o ipad à criança enquanto fazemos o jantar, enviamos um email urgente de trabalho, damos banho ao bebé ou fazemos outra coisa que precisamos dos dois braços! Não digo que deve ser eliminado, apenas deve ser evitado ou usado com moderação. Todos sabemos que as luzes dos ecrans despertam e além de que esforça o cérebro já cansado.
Em relação aos TPC apesar de ser do meu desagrado, eles têm de ser feitos! Assim sendo será a primeira coisa a despachar! Lanchar, caso haja fome, TPC e então depois brincar!!
Acredito que nem sempre é fácil, mas a melhor receita é de facto o brincar! Elaborar histórias, brincadeiras com personagens e diálogos, fazer teatros. Parece um pouco idealista mas devemos isto aos nossos filhos. Nem que seja por 30m. Até podemos trazer as tarefas domésticas para a brincadeira!
Um comboio a ir para o banho, ou a ir para a mesa, um jogo a por a mesa..
Em modo de conclusão é aumentando o vínculo parental no dia a dia que as coisas se vão tornando mais fáceis. A questão do vínculo é tão importante que vos deixo algumas dicas:
- 15m exclusivos. Talvez esta seja a mais difícil de pôr em prática. Há quem defenda a ideia de 15 minutos por dia. Em famílias numerosas a questão torna-se complexa de gerir, então como? Quando estamos a dar banho por exemplo, deixamos de lado o piloto automático e fazemos do banho uma aventura, ou quando os aninhamos debaixo dos nossos braços ao contar uma história antes de ir dormir. Se temos filhos mais bebés, vamos com ele deitar os bonecos ou por os carros na garagem para irem dormir. Deixemos que eles participem mas tarefas domésticas.
- Ralhem menos, falem menos, oiçam mais, perguntem mais!. Uma mãe ralha, dá ordens, opina o tempo todo. E como consequência temos menos tempo para escutar, perguntar ou interessarmo nos.
- Generosidade. Dar em abundância. Dar de nós, do nosso tempo aos nossos filhos, partilhar aquilo que gostamos, ensinar. Também somos generosos ao fazer o que nao gostamos tanto mas sabemos que para eles é tão importante. Sair um dia para ir ao jardim mesmo quando não nos apetece mas sabemos que eles vão gostar.
- Ensinar: o nossos papel enquanto educadores é ensinar valores, ensinar a fazer coisas, ensinar a partilhar formas de estar e de ser. Aquilo que ensinamos os nossos filhos será o que eles vão levar para a vida fora e na maioria das vezes o que eles vão ensinar aos seus próprios filhos. É uma espécie de nosso legado. Já repararam o quão importante e desafiante isto é?
- Respeitar a natureza dos filhos: podem ter um feitio que nos desafia. Mas é justamente quando aceitamos os nossos filhos que lhes estamos a dar a maior prova de amor, e ao mesmo tempo, a possibilitar o melhor caminho.
- Sejamos autênticos: as crianças, tal como nós, gostam de pessoas autênticas, verdadeiras, que lhes digam sempre a verdade. Ainda que com muitos defeitos, é quando somos verdadeiramente genuínos que inspiramos quem está à nossa volta. Temos este papel modelador de comportamento. Além de que as crianças que formamos hoje serão os adultos de amanhã.
- Façamos as coisas com eles e não para eles: Vamos ao parque brincar com eles, não é para ficarmos na esplanada enquanto eles brinca, sentar e desenhar, joguemos à macaca, andamos todos de bicicleta. Muitas vezes esquecemo-nos que estas coisas são muito mais importantes do que aquilo que possamos comprar. Tudo o que é a qualidade da relação não tem preço.
Autoridade parental nada tem a ver com cara de mau! É algo que se vai conquistando, não há varinhas mágicas que passem a fazer aquilo que desejamos que os filhos façam.
O melhor de se educar talvez seja a dimensão que as nossas vidas adquirem, porque se enche de significado.
Educar tem na base um profundo respeito. É trágico quando deixamos nas mãos do acaso esta tarefa demasiado importante.
Lembrem-se que na educação não há metas. É um caminho que se faz a caminhar, todos os dias são dias bons e novos dias para nos transformarmos em pessoas melhores. E assim inspiramos os nossos filhos a serem melhores também!
